VIII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Leitura do Primeiro de Ben-Sira (Sir 27, 4-7)

Ideia principal: Eis um conselho prático e muito útil: Não julguemos as pessoas… deixemo-las falar, pois as palavras revelam a verdade ou a mentira que há em cada coração.

– O livro de Ben-Sirá (Eclesiástico) aparece durante o domínio selêucida (início do Séc II a.C.). Perante o avanço do helenismo, pondo em causa a identidade do Povo de Deus, Jesus Ben-Sirá, escreveu esta espécie de compêndio de “sabedoria” para defender o património cultural e religioso do seu povo, e para demonstrar que Israel possuía na “Torah”, revelada por Deus, uma “sabedoria” muito superior à “sabedoria” grega.

– O Evangelho deste Domingo, dá-nos os critérios para discernir o verdadeiro do falso “mestre”. O verdadeiro mestre, gera, através do seu testemunho, comunhão, fraternidade, amor; o falso “mestre” – intolerante, autoritário, hipócrita – gera, com o seu testemunho, divisões e confusões. O ensinamento de Ben-Sirá, incisivo e prático, deixa-nos, em termos de conteúdo e de linguagem, na estrada do Evangelho.

– Aquilo que o homem diz revela a sua índole. Ben-Sirá recorre a 3 imagens: Como o crivo retém o farelo, assim a conversa retém o que é mau no coração do homem; assim como o barro de que é feito o vaso, se não presta, estala no forno, assim a má índole da pessoa não resiste ao “calor” duma conversa; a conversa revela as qualidades que o homem cultivou, como o fruto revela a forma como a árvore foi tratada.

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério

Senhor, dou-Te graças pelo belo e incisivo ensinamento de Jesus Ben-Sirá, que calou bem fundo no meu coração. Não emitir juízos sobre os outros, seria o melhor, até porque, examinando-me com rigor, em relação aos outros, fico sempre a perder… mas, às vezes, tenho de escolher pessoas e a confiar tarefas. Ó Deus, ensina-me a agir com ponderação: só as palavras que se dizem, revelam aquilo que cada um é. Amem.

LEITURA I – Sir 27, 4-7

Quando agitamos o crivo, só ficam impurezas:
assim os defeitos do homem aparecem nas suas palavras.
O forno prova os vasos do oleiro
e o homem é posto à prova pelos seus pensamentos.
O fruto da árvore manifesta a qualidade do campo:
assim as palavras do homem revelam os seus sentimentos.
Não elogies ninguém antes de ele falar,
porque é assim que se experimentam os homens.