Leitura do Livro do êxodo (Ex 3,1-8a.13-15)

Ideia principal: Deus está com aqueles que lutam pela libertação de tudo aquilo que os escraviza e que impede a manifestação da vida em plenitude.

– A 1ª Leitura deste III Domingo da Quaresma, relata-nos a vocação de Moisés e a revelação do nome de Jahwéh. Passa-se no Monte Horeb (Sinai). Não é uma nova divindade… É o Deus do povo de Moisés, o Deus da promessa, o Deus da História, que não fica indiferente ao sofrimento e à opressão. Vai intervir, mas não directamente. Busca para intermediário, Moisés, a quem chama e a quem garante a Sua presença. – A teofania do Horeb culmina com a revelação do nome de Deus: “Eu sou Aquele que sou”; “Eu sou”; “Ele é”… Aquele que é, em oposição aos ídolos que não são; Aquele que faz ser (Criador); Aquele que não se pode definir, porque tudo transcende. Este nome acentua a presença contínua de Deus na vida do seu Povo, uma presença viva, activa e dinâmica, no presente e no futuro, como libertação e salvação.

– Deus urge uma resposta do homem às mirabilia Dei em favor do Seu povo. Não basta ao homem maravilhar-se; é preciso corresponder. Moisés, correspondeu. E nós? O Evangelho de hoje é a parábola da figueira plantada na vinha (Lc 13, 6-9). Quando Deus planta uma árvore que não é para adorno, é natural que espere frutos… É paciente e compassivo, mas, por certo, não Lhe agradará esperar inutilmente…

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério

Ó Deus da Promessa, ó Deus da História, eu Te louvo e bendigo! Muitos pobres e explorados, refugiados, migrantes, lutam pelos seus direitos. Onde alguém luta por um mundo mais justo e mais fraterno, aí estás, Senhor! Tu queres precisar de intermediários, como Moisés, para agir. Se precisares de mim, dá-me uma atitude de profeta para denunciar e intervir, na certeza da tua da tua providencial assistência. Amem.

LEITURA I – Ex 3,1-8a.13-15

Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb. Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia. Então disse a Moisés: «Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espectáculo: por que motivo não se consome a sarça?» O Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» Ele respondeu: «Aqui estou!» Continuou o Senhor: «Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada». E acrescentou: «Eu sou o Deus de teu pai, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob». Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus. Disse-lhe o Senhor: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto; escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, as suas angústias. Desci para o libertar das mãos dos egípcios e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa, onde corre leite e mel». Moisés disse a Deus: «Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei-de responder-lhes?» Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’». E prosseguiu: «Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós». Deus disse ainda a Moisés: «Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração’».