Ideia principal: Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para nos salvar… passou pelo mundo fazendo o bem! Todos nós, que fomos batizados em Cristo, devemos viver segundo o jeito de Jesus, tudo fazendo para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.
LEITURA I: Isaías (Is 42,1-4.6-7)
Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te
e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos,
tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas». (vv. 67)
– A festa do Batismo do Senhor abre a porta ao “Tempo Comum”, ao longo do o qual, este Ano com a ajuda do evangelista São Mateus, penetraremos um pouco mais no “mistério” de Jesus. Hoje, cada cristão é convidado a fazer memória do próprio Batismo, o dia do início da realização da vocação à santidade a que somos chamados, pois o Pai nos concede o Espírito Santo para o seguimento de Jesus.
– A 1ª Leitura foi tirada do 1º dos quatro “poemas do Servo de Yahwéh”, inicialmente escritos como um bloco que, por volta do Ano 500 a.C., foi inserido no Livro de Isaías. Quem é o Servo? Trata-se de uma complexa e discutida questão… o certo é que, nos evangelhos, o Servo referido em Isaías surge como uma figura do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus (cf. Mt 3,17;12, 18-21; 17,5).
– No Evangelho da missa de hoje, o próprio Deus apresenta Jesus, no Jordão, como o havia feito através do Profeta: Este é o Meu Filho amado no qual pus as minhas complacências (Mt 3, 17). É alguém que Deus escolheu de entre muitos, a quem chamou e a quem confiou uma missão – trazer a justiça e oferecer a todos os homens a liberdade e a paz. O próprio Deus Lhe dará a força para assumir a missão e a concretizar.
LEITURA II: Atos dos Apóstolos (At 10,34-38)
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse:
«Na verdade, eu reconheço que Deus não faz aceção de pessoas, mas, em qualquer nação,
aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos (vv.34-37).
– A Festa do Batismo do Senhor coloca-nos no umbral do chamado “Tempo Comum”, ao longo do qual, domingo após domingo, a Igreja una e santa, batizada e confirmada, Esposa Amada de Cristo, é chamada a contemplar de perto, episódio após episódio, toda a vida histórica do seu Senhor, desde o Batismo, no Jordão, até à Cruz e à Glória da Ressurreição.
– O texto dos Atos apresenta-nos a catequese de Pedro em casa de Cornélio, um centurião romano, em Cesareia, aonde chega convocado pelo Espírito (cf. At 10,19-20). Expõe o essencial da fé e batiza-o, bem como aos seus (cf. At 10,23b-48). Cornélio é o primeiro pagão a ser admitido na Igreja, por um dos Doze.
– A tónica da II Leitura da missa está no universalismo da salvação. “Deus não faz aceção de pessoas”. Israel deve convencer-se do sem sentido das suas pretensões e dos privilégios que reivindica. Agrada ao Senhor “aquele que O teme e pratica a justiça”, qualquer que seja a sua raça ou condição. Pedro sublinha ainda a ação do Espírito Santo – “que dá a força” – derramado sobre os incircuncisos reunidos em casa de Cornélio, tal com, o no Pentecostes, ungiu apóstolos reunidos no Cenáculo.
EVANGELHO – Mateus 3, 13-17
Logo que Jesus foi batizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus
e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele.
E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado,
no qual pus toda a minha complacência». (vv. 16-17)
– O rio Jordão travessa-a Israel de alto a baixo, desde o sopé do monte Hermon até ao mar Morto. A cerca de 10 quilómetros do Mar Morto, pelos anos 27-28 da nossa era, apareceu um profeta apelando à conversão. Muitos acorrem a ele para receber o batismo de penitência que ele ministrava. Também Jesus, que vivia na Galileia, em Nazaré, procurou João, escutou a sua pregação e quis receber o batismo.
– No batismo que recebeu, no início do Seu ministério, Jesus identifica-se com os pecadores e rejeita as pretensões dos judeus a um Messias triunfalista… É agora, ao descer ao Jordão, que Jesus é consagrado “servo”, “aliança do povo”, “luz das nações” (1ª leitura) e “Senhor de todos” (2ªleitura).
– Dos céus abertos desce, na forma de pomba, o Espírito da nova criação; o mesmo Espírito que, nas origens, pairava sobre as águas (cf. Gn 1,2). Para recriar todas as coisas, o Pai revela Jesus como o Filho muito amado, no qual Se reconhece, nas Suas palavras, nas Suas obras e no Seu gesto supremo de amor: o dom da vida. Para conhecer o Pai, basta contemplar o Filho. A voz vinda do Céu altera as expetativas Povo de Israel: Jesus é o Servo de quem fala Isaías, é Ele o enviado a instaurar o direito e Justiça no mundo.
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Jesus de Nazaré, que passastes pelo mundo fazendo o bem, batizado com o Espírito, Filho Amado do Pai, curastes os que eram oprimidos pelo demónio! Nos gestos de amor, misericórdia e perdão, que realizastes, concretiza-se o projeto libertador de Deus. Jesus, não permitais que perca mais tempo! Já que poisastes em mim o olhar e me chamastes ao Batismo, ajudai-me, na Igreja, a continuar a vossa missão salvadora. Amem.