4º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Ideia principal: Como construir a casa sobre a rocha? Há uma maneira… confiar em Deus e só n’Ele colocar a nossa esperança, ou, dizendo de outra forma: seguir atrás de Jesus e segundo o Seu jeito.

LEITURA I – Sofonias 2, 3; 3, 12-13

Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos.
Procurai a justiça, procurai a humildade; talvez encontreis proteção no dia da ira do Senhor.
[…] O resto de Israel não voltará a cometer injustiças. […] Por isso, terão pastagem e repouso […].

– O profeta Sofonias, cujo nome significa “o Senhor esconde ou protege”, viveu no reinado de Josias, rei de Judá (640–609 a.C.). É o profeta da ira de Jahwéh… os que procuram o Senhor e aceitam fazer a terrível purificação, serão o “resto” fiel: bem-aventurados, serão protegidos no dia da ira do Senhor, Deus será o seu refúgio, encontrarão pastagem e repouso, ninguém os perturbará (cf. vv 12-13).

O rei Acaz, recusou aliar-se aos os reis de Samaria e de Damasco, preferiu, em 734 a.C., pedir apoio ao rei Tiglat-Pileser III, ou seja, subjugou Judá à Assíria; a seguir reinou o ímpio Manassés (698-643 a.C.), que, além de oferecer o próprio filho em holocausto, profanou o Templo de Jerusalém com o culto à deusa Astarte e construiu altares a Baal. Poderia Jahwéh pactuar com o pecado do Seu povo?

– Sofonias apela à conversão que se concretiza na humildade e na pobreza. Pela primeira vez, na Bíblia, ser pobre não tem a ver com carências económicas… é uma atitude interior. Pobre é aquele que se põe totalmente nas mãos de Deus, disposto a fazer a Sua vontade. A espiritualidade da pobreza tem a sua origem em Sofonias e, muitas vezes, sobretudo nos Salmos, pobre é sinónimo de piedoso, justo, temente a Deus.

LEITURA II – 1 Coríntios 1, 26-3

Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios;
[…] É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, […]  o qual Se tornou para nós
sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção.
Deste modo, conforme está escrito, “quem se gloria deve gloriar-se no Senhor

– Mais um excerto da primeira Carta de Paulo aos Coríntios, escrita em Éfeso, durante a terceira viagem missionária de Paulo. Já no domingo passado, nos demos conta do efeito corrosivo das discórdias, divisões, inveja, ciúme, que punham em causa o essencial da fé. À maneira das escolas filosóficas gregas, em que cada aluno se tornava discípulo do seu mestre, também na comunidade cristã, cada crente elegia como “mestre” uma das figuras de referência (Paulo, Apolo, Pedro…) e aderia ao “caminho” por ele proposto.

– Paulo intervém prontamente, argumentando com ironia para sublinhar a sua ideia: Deus chamou os simples para confundir os sábios (cf. v.27). Dum único os cristãos se orgulham: Cristo! O qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção (v. 30), apontando para a loucura da Cruz.

– Deus Ele não escolhe os ricos, mas os pobres, os marginalizados, aqueles que são considerados sem valor. Basta que olheis para a vossa comunidade, refere Paulo, apeando assim os coríntios de qualquer assomo de vaidade: não há nobres, nem eruditos, nem pessoas de grande cultura; até ricos há bem poucos… miseráveis há muitos mais! Como que dizer: olhem para vocês e reconhecerão as preferências de Deus.

EVANGELHO Mateus 5,1-12

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.
Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. […]
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. […]
Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

– Mateus junta os “ditos” e ensinamentos de Jesus em cinco longos discursos (cf. Mt 5-7; 10; 13; 18; 24-25). O primeiro deles, do qual o Evangelho deste domingo é o início, é o “sermão da montanha” (cf. Mt 5-7). Trata-se um novo código ético, uma nova Lei, que supera e substitui a antiga Lei dada por Deus ao Seu Povo. A intenção do evangelista é proporcionar à sua comunidade uma súmula orientadora da vida cristã.

– As “bem-aventuranças” deixam uma mensagem de esperança e de alento para os pobres. Jesus especifica: pobres… em espírito!  Ou seja: nem todos os pobres são bem-aventurados. Pobres, no Evangelho, não são quem não possui nada, mas os que não ficam com nada para si. Com o seu desprendimento, anunciam que a libertação está a chegar e vivem já na dinâmica do Reino onde hão de encontrar a plena felicidade.

– São nove as bem-aventuranças: a central, isto é, a 5ª bem-aventurança, é a misericórdia. As outras oito, abrem-se a uma recompensa imediata ou futura (… é deles o reino dos Céus … porque serão…). Por sua vez, a misericórdia rodopia sobre si mesma… Aos misericordiosos será dada (por Deus) a misericórdia! Quem são eles? São os que, como Jesus, acolhem, perdoam, abraçam os pecadores e os marginais.

Rezar a Palavra

Senhor Jesus, subo convosco o Monte. Com os discípulos, escuto a beleza da canção que cantastes, a canção da felicidade. Não me satisfaz a efémera felicidade que o mundo me oferece, mas quantas vezes caio na tentação de a procurar. Convidais-me a recusar critérios de mediocridade e a viver uma vida entregue… Como o conseguirei, Senhor?! Puxai por mim, dai-me a mão, Senhor! Ajudai-me e serei feliz! Amem.