3º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Ideia principal: A Palavra deste domingo desvela-nos o projeto de salvação e de vida plena que Deus tem para nós e para o mundo; devemo-lo acolher e abraçar para alcançar a meta.

LEITURA I – Isaías 8,23b-9,3

Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali,
também no futuro será coberto de glória […] O povo que andava nas trevas viu uma grande luz;
para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou.

– Excetuando o 1º versículo, o resto da leitura de Isaías foi a que escutámos na Missa da noite de Natal. Recordemos a sua contextualização histórica… O Reino do Norte sofreu duas invasões assírias, uma em 732 em que Teglate-Falasar III, deportou os habitantes de Neftali; na outra, em 721, ao tempo do rei Sargão II, a Samaria foi anexada e houve uma deportação generalizada. O objeto da profecia é o restabelecimento, por Deus, do reino de David. Depois da queda do Reino do Norte, as tribos que o formavam atingirão uma era gloriosa, “porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Is 9,5).

– Sabemos pelo Evangelho que a profecia se cumpre em Jesus: o herdeiro de David e Aquele que, no início da Sua vida pública, faz resplandecer uma grande luz a partir do norte do país, a “Galileia dos gentios”.

– Quando Jesus nasceu, a Assíria já se tinha desmoronado há séculos, mas as trevas permaneciam… A escuridão do mal, da violência, da opressão, da corrupção, do egoísmo… As trevas começaram a desvanecer-se quando, no início da vida pública de Jesus, uma luz brilhou nos montes da Galileia.

LEITURA II – 1ª Coríntios 1, 10-13.17

Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós,
que há entre vós quem diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo».
Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós?
Foi em nome de Paulo que recebestes o Batismo?

– Já Paulo tinha deixado Corinto, onde, a partir da sua pregação se formou uma comunidade cristã, quando passou por lá Apolo, judeo-cristão de Antioquia, pregador eloquente e versado nas Escrituras. Sem culpa nem de Apolo, nem de Paulo, a comunidade dividiu-se entre “os de Paulo” e os de Apolo”, como se o cristianismo fosse mais uma escola de sabedoria, em que cada um escolhe o “mestre” que mais lhe agrada.

– As “divisões” que Paulo refere não configuram cismas ou fações heréticas, mas “capelinhas” originadas, umas, pela eloquência de Apolo; outras, pela convicção de Paulo; outras, pela especial autoridade de Pedro; outros ainda, reivindicam uma ligação direta a Cristo, sem mediações. Paulo, sem ceder no que diz respeito à sua autoridade – por isso intervém – quer que só Cristo brilhe, numa primazia absoluta.   

– Os apóstolos não são patrões, mas servos; não são os salvadores, o Salvador é um só, Cristo! O importante não é quem batizou ou quem anunciou o Evangelho: o importante é Cristo, do qual, Paulo, Cefas e Apolo são instrumentos humanos por Ele escolhidos. Os coríntios – e nós! – não devemos apegar-nos ou seguir os instrumentos, mas, ajudados por eles, descobrir Cristo, que na Cruz se entregou por nós. 

EVANGELHO – Mateus 4,12-23

Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, […] deixou Nazaré
e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali.[…]
Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo».
Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André […] Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, e seu irmão João,
que estavam no barco, […]. Jesus chamou-os e eles, […] seguiram-n’O.
Depois começou a percorrer toda a Galileia,[…] proclamando o Evangelho do reino.
 

– O Evangelho deste domingo – o 3º do Tempo Comum, por iniciativa do Papa Francisco, o “Domingo da Palavra de Deus” – é uma espécie de prólogo à vida pública de Jesus, uma indicação de que as profecias messiânicas chegaram ao seu cumprimento: “O Reino de Deus está próximo” (v.17). Mateus, “publicano” que trabalhava para os romanos, percebe a partir do seu posto de trabalho, que é na Galileia, corredor de passagem de tantos pagãos, é lá que Jesus se revela: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz” (v.16). Este povo “misturado”, menos religioso que os habitantes de Judá, foi quem primeiro foi iluminado.

– O conteúdo do anúncio que Jesus faz, a Sua grande “paixão”, é o anúncio do Reino de Deus” (ou “Reino dos céus”), cuja chegada está ligada a Si próprio e supõe a conversão que corresponde, a um reorientar a vida para Deus, de modo que Deus e os seus valores passem a estar no centro da vida do homem.

– O chamamento dos quatro primeiros Apóstolos – os irmãos Simão e André, e os filhos de Zebedeu, Tiago e João – é o início de uma nova maneira de estar e de atuar. São homens simples, disponíveis à voz do Mestre. A forma como Deus age não tem nada a ver com o método dos poderosos deste mundo.

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério 

Ó Cristo, único Salvador! A luz do Evangelho brilha, mas a escuridão do pecado demora a desvanecer-se… às vezes ainda penso que sou imprescindível; ainda me deleito e iludo a ouvir elogios; até já perdi tempo com ciumeiras e rivalidades!!! A experiência cristã é encontro com Cristo, por isso a minha vida espiritual só pode estar centrada n’Ele e o apostolado que faço a Ele tem de conduzir. Assim seja! Amem.