Leitura do Evangelho de NSJC segundo São Lucas (Lucas 12,13-21)
Ideia principal: Quem aposta tudo no conforto, no bem-estar, na segurança que o dinheiro proporciona, arrisca-se a passar ao lado das coisas da vida que realizam o homem e lhe alcançam a eterna felicidade.
– No caminho de Jerusalém mais um “ensinamento” de Jesus que apenas Lucas relata, um ensinamento que, como os outros, visa preparar os discípulos para virem a ser arautos do evangelho do Reino até aos confins da terra. Um homem que, em relação ao irmão se sente descriminado numa questão de partilhas, pede a intervenção de Jesus, a quem chama “Mestre” reconhecendo-lhe uma autoridade semelhante à dos escribas e doutores da Lei, a quem o povo recorria para a resolução de assuntos deste género.
– Qualquer “mestre” de Israel apelaria às normas vigentes, estabelecidas no Deuteronómio (Dt 21, 15-17) e em Números (Nm 27, 1-11). Jesus, porém, prefere ir à raiz do problema… Diz a todos: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens» (vv. 14.15).
– Geralmente somos bons juízes em causa alheia… Perguntemo-nos: já passei por algumas partilhas na minha família? Portei-me bem? Para ganhar um pouco mais, não será que me imponho a mim próprio horários e trabalhos que comprometem a saúde, a harmonia no lar, o tempo para os filhos? A vida não depende das riquezas, eu sei… Depende de quê? «Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma»…
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Jesus, pelo amor que me tens, fizeste-Te pobre, para me enriqueceres em tudo (cf 2 Cor 8,9)! Dou-Te graças pelo ensinamento deste domingo. Comecei por dizer: nunca passei por quaisquer partilhas, não tenho campos, nem bens supérfluos. Mas Tu, Senhor, não deixaste que me pusesse de fora dos destinatários da parábola… Ainda digo mais vezes ”meu” do que digo “nosso”… Piedade, Senhor! Converte-me! Amem.
EVANGELHO – Lucas 12,13-21
Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus:
«Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
Jesus respondeu-lhe:
«Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?»
Depois disse aos presentes:
«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza:
a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
E disse-lhes esta parábola:
«O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
Ele pensou consigo: ‘Que hei de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita?
Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores,
onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo:
Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’.
Mas Deus respondeu-lhe:
‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’
Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».