Ideia principal: Deixemo-nos instruir por Deus. Tornemo-nos alunos dessa grande “escola” que é o Evangelho!!! Nem todos os ensinamentos serão tranquilizadores, nem todas as respostas vão ao encontro das seguranças que procuramos… Cristo não repreende os discípulos por não terem as respostas certas, mas é severo para os que não têm preparado o coração e o entendimento e, por isso, são culpáveis por não entenderem o que devem entender.
LEITURA I – Atos dos Apóstolos 2, 14.22-33
No dia de Pentecostes, Pedro, […] ergueu a voz e falou ao povo. «Homens de Israel, ouvi estas palavras:
Jesus de Nazaré, […]vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa.
Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte […].Foi este Jesus que Deus ressuscitou
e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus,
recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».
- A 1ª Leitura é a compilação de vários excertos do discurso de Pedro no Dia de Pentecostes, o “Shavu’ot” judaico que celebra a Aliança, sobretudo o dom da Lei ao Povo de Deus, no Sinai. Entendamo-nos: não é a reprodução das palavras de Pedro, no cenáculo, mas um discurso construído por Lucas, o autor dos Atos, que apresenta, assumido por Pedro, o “kerigma” (1º anúncio) feito pela primitiva comunidade cristã.
- Pinta o “retrato” de Jesus a partir do modo como O viam os judeus: o “nazareno”, por ter vivido em Nazaré e por ser “nazir”, isto é, consagrado a Deus (cf. Juízes, 13); o novo Moisés… operava milagres, prodígios e sinais, uma tríade que remetia para as obras que Deus, no A. T., realizou através Moisés. A Ele os judeus deram a morte – referência ao tribunal de Pilatos e à crucifixão, factos ainda muito recentes.
- Pedro dirige-se a judeus que conhecem as Escrituras e as promessas de Deus. Por isso, fala da ressurreição sem referir a experiência que os Apóstolos fizeram do Ressuscitado, mas citando o Salmo 16, onde David, profetiza sobre um seu descendente que vencerá a morte, será entronizado no seu trono e estabelecerá um reino eterno. Jesus é esse que venceu a morte: o filho de David, o Messias que Israel esperava.
LEITURA II – 1ª Pedro 1, 17-21
Caríssimos: […] Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e oiro,
que fostes resgatados da vã maneira de viver, mas pelo sangue precioso de Cristo.
- A 1ª Carta de Pedro é dirigida aos cristãos de cinco províncias romanas da Ásia Menor: a Bitínia, o Ponto, a Galácia, a Ásia e a Capadócia (cf. 1 Pe 1,1), talvez pelos anos 80. As violentas e organizadas perseguições de Domiciano, estão já no horizonte próximo (década de 90). O autor da Carta exorta os crentes a olharem para Cristo e a encontrarem n’Ele coragem para viverem com alegria e fidelidade a sua opção cristã.
- A segunda leitura da missa, integra-se muito bem no Tempo Pascal, pois nos fala da nossa libertação através do Sangue do novo Cordeiro Pascal – manso Cordeiro, sem defeito e sem mancha, imolado na nova Páscoa – e da Ressurreição de Jesus. A obra libertadora de Cristo não é uma mera libertação temporal, mas um verdadeiro resgate, pago com o Seu Sangue, por isso se designa, mais propriamente, por Redenção.
- Nesta catequese batismal, o autor, que usa o nome do Apóstolo Pedro, dirige-se aos recém-batizados – e também a nós… – exorta-os a refletir na sua condição de filhos que podem dirigir-se a Deus chamando-Lhe Pai. O batismo introduz-nos numa condição sublime, mas que supõe uma conduta moral coerente, já que Deus “julga cada um segundo as suas obras”.
EVANGELHO – Lucas 24,13-35
Dois dos discípulos de Emaús iam a caminho duma povoação chamada Emaús,
que ficava a sessenta estádios de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.
Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou Se deles e pôs Se com eles a caminho.
Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem […]
[…] «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou estes dias».
[…] Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante.
Mas eles convenceram n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar
e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles….
- A aparição de Jesus ressuscitado a dois discípulos que iam a caminho de Emaús, no próprio dia de Páscoa, é exclusiva de Lucas, e tem evidente intenção catequética. Lucas escreve o seu Evangelho nos anos 80 do primeiro século, 50 anos depois da paixão, morte e ressurreição de Jesus. “Se Jesus ressuscitou e está vivo, como O posso encontrar?”, era a pergunta que muitos faziam, à qual o catequista Lucas vai responder.
- O caminho percorrido com aquele “desconhecido” é aproveitado para uma “liturgia da Palavra” na qual se sublinha a coerência dos “acontecimentos de Jesus” com aquilo que é narrado nas Escrituras acerca do projeto salvífico de Deus. Embora a estultícia e a falta de fé tenham sido vigorosamente reprovadas, a escuta da Palavra foi-lhes aquecendo o coração. O preâmbulo necessário ao reconhecimento do Ressuscitado…
- A hospitalidade dos discípulos apressa o reconhecimento de Jesus… Lucas deixa claro que é na celebração comunitária da Eucaristia – a liturgia da Palavra ( e a “explicação das Escrituras”) e o “partir do pão” – que os crentes fazem a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. De seguida, os discípulos regressam a Jerusalém: a necessidade imperiosa de dar testemunho da experiência do encontro com Cristo Vivo.
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Pai Santo! Para sermos santos nos enviastes o vosso Filho Jesus que nos resgatou por um alto preço: o Seu Sangue derramado. Porém, na minha vida não faltam desencontros com o Ressuscitado… que, tal como aos discípulos de Emaús, sempre me conduz, e me alimenta com a Sua Palavra e o Seu Pão. Desta Presença, como os Apóstolos, eu também só testemunha. Louvor e Glória a Cristo, nosso Cordeiro Pascal! Amem
Cónego Armando Duarte
19 de Abril de 2026