Ideia principal: A Igreja nasce de Jesus para continuar a missão de Jesus; é santa, mas formada por homens pecadores; animada pelo Espírito, vive do Espírito e d’Ele recebe a força para realizar a sua missão. É “templo espiritual” do qual Jesus é a “pedra angular” e são “pedras vivas” os batizados que vivem contemplando o Ressuscitado, e, como Ele, seguem o caminho da obediência a Deus e do serviço aos irmãos. Comunidade da Nova Aliança, família de Deus – a família do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
LEITURA I – Atos dos Apóstolos 6, 1-7
[…] Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram:
«Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra».
- O excerto dos Atos hoje lido, descreve o primeiro conflito no interior da comunidade de Jerusalém e o modo como foi sanado. A comunidade dos discípulos – uma nova designação dos cristãos – carrega os traços da heterogeneidade do mundo judeu do qual irradia, e onde coabitam os autóctones falando aramaico e os provenientes da diáspora, falando grego. O conflito é de ordem económica, mas também de mentalidades: os helenistas mais ousados na evangelização, os judeus mais cautelosos e virados sobre si…
- Os Doze, resolvem o conflito rezando e delegando tarefas. Aos Apóstolos cabe o anúncio da Palavra e a oração; a outros, o serviço dos pobres, a gestão dos bens e a organização das refeições comunitárias. A diaconia das mesas e a diaconia da Palavra, serviços que não eram estanques… Estêvão e Filipe, que fazem parte dos sete escolhidos para a diaconia das mesas, também anunciam a Palavra e evangelizam.
- A escolha e a designação dos novos ministros (diáconos por exercerem a diaconia) faz-se por uma dupla intervenção: a da comunidade que escolhe, tendo em conta as qualidades dos candidatos; a dos Doze que, pela oração e imposição das mãos, confirmam a escolha e conferem aos escolhidos uma missão sagrada.
LEITURA II – Primeira Carta de Pedro 2, 4-9
[…] Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens,
mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. […] Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião
uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido».
[…] Para os incrédulos, porém, tornou […] «pedra de tropeço e pedra de escândalo».
- A 2ª Leitura da missa, como tem acontecidos nos últimos domingos, extraída 1ª Carta de Pedro, afirma elementos constitutivos da Igreja. Fá-lo recorrendo a um deraxe, ou seja, uma atualização de textos do Antigo Testamento, através do qual transpõe para a Igreja, novo Povo de Deus, os privilégios do antigo Israel, a saber: a eleição, a consagração e a missão de “anunciar os louvores d’Aquele que vos chamou…”.
- No Salmo 118 (v. 22), foi anunciado que a pedra rejeitada pelos homens, Deus a colocaria no alicerce de uma nova casa. Tudo se cumpriu na Páscoa de Jesus… rejeitado, o Pai não O deixou ficar na morte. Ressuscitou-O e fez d’Ele a “pedra angular” de um Santuário imaterial: a Igreja; dela, os Apóstolos são “o alicerce” e os batizados são as “pedras vivas” e sacerdotes de um novo culto espiritual, agradável a Deus.
- Esta “construção” virá a ser rejeitada por muitos, numa alusão às dificuldades que os destinatários da Carta experimentavam na vivência e no testemunho da sua fé. Porém, para Deus esta comunidade/Templo, constituída pelos que permanecem fiéis, será uma “geração eleita, sacerdócio real, nação santa” capaz de oferecer sacrifícios espirituais: uma vida santa, vivida na entrega a Deus e no dom gratuito aos irmãos.
EVANGELHO – João 14,1-12
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração.
Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai
há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar vos um lugar
e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou,
estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». […]
«Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim».
- O ambiente do Evangelho deste Domingo é o de uma ceia de despedida, aquela que teve lugar na Quinta-Feira à noite, pouco tempo antes da prisão, na véspera da morte do Senhor. Jesus despede-Se dos discípulos e faz-lhes as últimas recomendações. As palavras de Jesus soam a “testamento” final: Ele sabe que vai partir para o Pai e que os discípulos vão continuar no mundo.
- Jesus quer exorcizar o medo e tornar imune o coração dos discípulos a toda a perturbação. Diz-lhes que vai à frente preparar uma morada definitiva, para depois os vir buscar a fim de estarem com Ele para sempre. E essa morada não é um lugar impreciso, mas uma pessoa: «Eu vou para o Pai». E o Pai já não é para eles um desconhecido… já contemplaram o Seu rosto: «Quem Me vê, vê o Pai»!
- Esta comunhão de vida com o Pai por Jesus, no Espírito Santo, está ao alcance de todos. O Pai enviou o Filho para n’Ele nos tornarmos filhos. O “caminho” é Jesus, é a identificação com Jesus. Quem aceita percorrer esse “caminho” está caminhando ao encontro da Verdade e da Vida em plenitude. Por esse “caminho”, os discípulos, tornados Homens Novos, participam da Família de Deus.
Rezar a Palavra
Senhor Jesus, Vós sois o Caminho certo, a via segura, a meta que posso alcançar, pois caminhais comigo, me conduzis pela mão e me dais força para enfrentar tudo. Se assim não fosse perder-me-ia nos atalhos sedutores deste mundo, envolvido por tantas vozes apelativas e propostas de alegria vã. Vós sois a Verdade sem erro! Senhor Jesus, Vós sois a Vida em plenitude! Educa-me, ó meu Redentor! Glória a Vós! Amem.
Cónego Armando Duarte
2 de Maio de 2026