11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Ideia principal: Deus outra coisa não quer se não oferecer ao homem a Sua vida e Sua salvação. Para isso serve-Se daqueles que Ele chama e envia para serem sinais vivos do Seu amor e testemunhas da Sua bondade: escolheu Israel e constituiu-o no mundo sinal da Sua solicitude. Para Paulo, é claro que a missão da comunidade é ser no mundo testemunho do amor de Deus – um amor eterno, inquebrável, gratuito, único. Jesus envia os “doze” – que representam a totalidade do “novo” Israel – para continuar a missão d’Aquele que os envia.

LEITURA I – Livro do Êxodo (Ex 19, 2-6a)
[…] Moisés subiu à presença de Deus. O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe:
[…] se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. […] Vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa’».

  • No capítulo 19 começa a 2ª parte do Êxodo, que reúne várias tradições sobre a Aliança – “berit”, vocábulo hebraico que define um pacto entre duas partes, implicando direitos e obrigações recíprocos. Estamos na península do Sinai, “povoada” de montes… Desde o séc. IV d.C., considera-se como sendo o “monte da Aliança” o “Gebel Musah” (“monte de Moisés”), um monte com 2244 metros, situado no sul da península.
  • Três meses depois da libertação do Egipto, os israelitas chegaram ao Sinai onde, em Refidim, graças à oração de Moisés, venceram os amalecitas. Jahwéh apareceu a Moisés e, depois de recordar a libertação do Egipto, anuncia que escolheu Israel para uma Aliança… se o Povo for fiel, tornar-se-á Sua propriedade especial, um reino de sacerdotes, uma nação santa, para O honrar e servir entre todos os povos.
  • Esta “eleição” não é um privilégio, mas um serviço, que se concretiza numa missão profética: ser um sinal vivo de Deus no mundo. O “novo” Israel, fundado por Jesus sobre o fundamento sólido dos Apóstolos, herdará esta missão. Hoje é a Igreja a depositária das promessas da Aliança entre Deus e a humanidade. Chamada a santificar o mundo deverá, por fidelidade à Aliança, deixar-se iluminar pela Palavra do Senhor.

LEITURA II – Epístola d e São Paulo aos Romanos
[…] Deus prova assim o seu amor para connosco. Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. […] Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida […].

  • De passagem por Roma a caminho a caminho de Espanha (cf. Rom 16,23-24), onde projeta anunciar o Evangelho de Jesus no ocidente, Paulo escreve a Carta aos Romanos. É uma circunstância que o Apóstolo aproveita para lembrar aos cristãos, qualquer que seja a sua origem, o essencial da mensagem cristã: A salvação não é uma conquista do homem, mas um dom do amor de Deus que a todos “justifica” e salva (cf. Rom 3,1-5,11); salvação é oferecida por Deus através de Cristo; ao homem, resta aderir, na fé, a essa proposta de salvação, (cf. Rom 5,12-8,39). Não se pense, contudo, que a justificação é uma esponja que Deus passa sobre os nossos pecados… É antes, o dom de um coração novo pela efusão do Espírito Santo, que nos capacita para o bem e nos torna capazes de agir em conformidade com Deus.
  • Como o homem, por si só, não conseguiria superar a situação de pecado, Deus enviou o Seu Filho que Se entregou por nós, e, gratuitamente, nos ofereceu a salvação. Tudo isto aconteceu “quando éramos, ainda, pecadores”. O amor de Deus é verdadeiramente um amor “inqualificável”, incrível, ilógico… Se Deus nos amou desta forma quando éramos pecadores, como poderá deixar de amar agora que fomos justificados?

EVANGELHO – Mateus 9,36-10,8
Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão,
porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor.
Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara».
Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar
os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades.

  • A perícope que vai de 9,36 a 11,1, é o chamado “discurso da missão”. Iremos escutá-lo neste e nos dois próximos Domingos. São Mateus juntou aqui relatos de envio, “ditos” de Jesus acerca dos “doze” e várias outras “sentenças”; o resultado foi uma espécie de “manual do missionário cristão” para gente muito entusiasmada com a missão, mas que, no seu apostolado, se depara com muitas incompreensões.
  • Estamos no princípio do “discurso da missão”; tudo começa com a compaixão de Jesus – visceral, maternal… – face às multidões cansadas, desencantadas, dispersas e abatidas, «como ovelhas sem pastor». A compaixão leva Jesus a intervir: chama os doze e este número tem a ver com as doze tribos de Israel. A missão dos doze, isto é, da totalidade dos discípulos, do “novo” Israel, é continuar a missão de Jesus.
  • Antes do mais, devem rezar: «Pedi ao Senhor da seara» (v 38). Só na oração assimilamos os sentimentos de Deus. Depois dá-lhes autoridade: «curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios» (10,1). A autoridade não é sobre as pessoas, mas sobre o mal. Pelo anúncio da Palavra, cuja força e eficácia são prodigiosas, o mal é debelado dando lugar ao surgimento de um mundo novo.

Rezar a Palavra
Senhor Jesus, dou-Vos graças pelo modo como cuidastes das multidões fatigados e abatidos, como ovelhas sem pastor. Bendigo-Vos pelos apóstolos que instituístes e por aqueles que chamais a serem hoje os seus sucessores; e por tantos outros que com eles cooperam na edificação da Igreja e no anúncio do Reino. Mestre da seara, peço-Vos pelos jovens: que abram o coração ao vosso chamamento e Vos sigam. Amem.

Cónego Armando Duarte
14 de junho de 2026