Solenidade da Santíssima Trindade – Ano A

Ideia principal: Deus é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia… assim Deus se apresenta porque quer ter connosco uma relação familiar; Deus é Família e quer atrair-nos à uma comunhão de vida com o Espírito Santo “personificação” do Amor perfeitíssimo da relação do Pai com o Filho. Um Amor de loucura… a ponto de o Pai enviar ao mundo, para nossa Salvação, o Seu Filho único, Jesus. A celebração de hoje é convite à contemplação Deus, a fim de saborearmos o Amor com que Ele nos ama.

LEITURA II – Livro do Êxodo 34,4b-6.8-9
[…] O Senhor passou diante de Moisés e proclamou:
«O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar
e cheio de misericórdia e fidelidade».
Moisés prostrou-se em adoração e disse:
«Se encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós.

  • A 1ª Leitura, extraída do Êxodo, relata a revelação de Jahwéh a Moisés na sua segunda subida ao Sinai, após o episódio do bezerro de ouro. Moisés dirige a Deus uma dupla súplica: À recusa de Jahwéh, em subir com aquele povo de dura cerviz (cf. Ex 33,3), Moisés suplica: “Se Tu próprio não vais adiante do Teu povo, não nos faças sair deste lugar (Ex 33,15); pede ainda: “Mostra-me a Tua glória” (Ex 33, 18).
  • Quando Moisés já caminha à frente do povo, Jahwéh completa a revelação do Seu Nome feita no episódio da sarça ardente (cf. Ex 3). Deus é menos misterioso e mais explícito acerca do amor que nutre pelo Seu povo: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade». O texto litúrgico omite o v.7, que revela uma faceta mais dura do amor de Deus… “pune a iniquidade dos pais sobre os filhos e os netos até à terceira e quarta geração”.
  • Moisés, perito em orações improvisadas, aproveita para de novo pedir ao Senhor que caminhe com o povo; na sua súplica parte da revelação que Jahwéh faz de Si, como sendo clemente, compassivo. Sendo assim, atreve-se a sugerir que Deus manifeste o Seu amor pelo povo perdoando e caminhando com ele.

LEITURA II – 2 Cor 13, 11-13
Irmãos: […] Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam.
A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

  • A 2ª carta aos Coríntios foi escrita na Macedónia, no ano 56/57, após a visita de Tito, que trouxe a Paulo boas notícias de Corinto. O texto lido, é a conclusão da Carta. Uma recomendação, as saudações, e a despedida é feita através de uma fórmula trinitária – que usamos como saudação inicial da missa – em que as três Pessoas divinas – que não são três indivíduos – estão em pé de igualdade: São… três “eu”!
  • Uma comunidade onde os irmãos são acolhidos, ajuda à mútua santificação. Por isso Paulo recomenda: animem-se uns aos outros, cultivem os mesmos sentimentos, vivam em paz e em comunhão com Deus, que é Amor. Uma comunidade onde estas recomendações são observadas, torna-se, no meio do mundo, imagem viva da comunhão trinitária. O “ósculo santo” é sinal do amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
  • O mais notável desta carta é, contudo, a fórmula final da saudação, certamente de origem litúrgica. Constitui uma impressionante confissão de fé no Deus trino, nesse Deus que é amor, “família”, comunidade. Ao utilizarem esta fórmula, os cristãos reconhecem-se como membros da “família de Deus”, da qual fazem parte também os outros irmãos. Formam todos, portanto, uma única família, chamados a viver em unidade.

EVANGELHO – João 3,16-18
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por Ele.
Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita n’Ele já está condenado,
porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus».

  • O Evangelho do dia é tirado da secção introdutória do Evangelho de São João (Jo 1,19-3,36). Trata-se da parte final da conversa entre Jesus e um “chefe dos judeus”, membro do Sinédrio, chamado Nicodemos. Jesus revela a Nicodemos o projeto de salvação de Deus: é uma iniciativa do Pai, tornada presente no mundo e na vida dos homens através do Filho e que se concretizará pela cruz/exaltação de Jesus.
  • “Deus é Amor”! O jeito de Deus amar é este: morre para que tenhamos a vida; diminui-Se para nos engrandecer; Ele parte e envia-nos nas Suas vezes; esconde-Se para nos dar protagonismo; afasta-Se para nos responsabilizar. A experiência deste amor ensina-nos a viver com os outros, para os outros e pelos outros. É isso viver na comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
  • No Evangelho de João, nunca o Pai e o Filho aparecem como Juízes que condenam: Deus salva, não condena! Como entender então o último versículo do Evangelho deste Domingo? Sublinhada a tua responsabilidade pessoal… O Juízo não é para depois, é hoje! Se confias em Cristo e na Sua Palavra, escolhes a vida; se recusas agora o Seu Amor, é agora que a tua vida se torna num inferno…

Rezar a Palavra
Deus Pai, Filho e Espírito Santo, eu Vos adoro! Desde o batismo, Inabitais em mim, Trindade Santa, por isso vislumbro já a meta que está ao meu alcance: contemplar-Vos, ó Deus, nesse dinamismo de Amor entre o Pai, o Filho que é o Espírito Santo; desde já posso saborear a Vida que Jesus me alcançou, a Comunhão a que o Espírito me impele e o Amor com que me amas, ó Pai! Glória a Vós Trindade Santíssima! Amem.

31 de maio de 2026
Cónego Armando Duarte