Ideia principal: “Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós” (14,18), este versículo do Evangelho hoje proclamado, sintetiza a mensagem deste domingo que antecede a solenidade Ascensão do Senhor. Se Jesus continua entre nós e é o Senhor da História, a proposta para cada um será a descoberta da Sua presença, razão da nossa esperança e motivação para o testemunho sereno da nossa fé, sobretudo pelo prática da caridade para com todos, mesmo para com os perseguidores.
LEITURA I – Atos dos Apóstolos 8,5-8.14-17
Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente.
[…] Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém
ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram lhes Pedro e João.
Quando chegaram lá, […] impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.
- A perseguição que se seguiu ao martírio de Estêvão levou a que a comunidade cristã de Jerusalém se dispersasse… “Deus escreve direito por linhas tortas”: nas terras para onde foram, os discípulos deram testemunho da sua fé. Filipe, que tal como Estêvão, fazia parte do grupo dos 7 diáconos (Atos 6,5), dirigiu-se a uma cidade da Samaria, talvez Siquém, onde a sua pregação frutificou. É a força do Espírito Santo!
- Filipe, cumpre o mandato de Jesus: recebereis o Espírito Santo; sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria (cf. Atos 1,8). Os samaritanos, embora pouco alinhados com a ortodoxia judaica, esperavam o Messias… Filipe lh’O deu a conhecer: Jesus Cristo; os que acreditam, são batizados. Muitos sinais acompanham a Palavra anunciada, cumprindo-se a promessa de Jesus (cf. Mc 16,17-19).
- Porém, a sua missão não ficaria realizada sem a intervenção dos Apóstolos que, tendo permanecido em Jerusalém (também o Apóstolo Filipe…), enviaram Pedro e João a Samaria e, pela imposição das mãos, fizeram descer sobre os samaritanos o Espírito Santo, numa alusão clara ao sacramento da Confirmação. Sucederam-se várias manifestações carismáticas análogas às que ocorreram no Pentecostes.
LEITURA II – 1ª Carta de Pedro 3, 15-18
Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder, a quem quer que seja,
sobre a razão da vossa esperança. […] sejam confundidos os que dizem mal do vosso bom procedimento em Cristo. Mais vale padecer por fazer o bem, […] do que por fazer o mal.
- Esta 1ª Carta de Pedro tem-nos acompanhado nos domingos da Páscoa… Já sabemos que se trata de um texto exortativo, enviado aos fiéis das comunidades cristãs estabelecidas em zonas rurais da Ásia Menor, pertencentes, na maioria, a classes menos favorecidas, e, por isso, mais vulneráveis às perseguições que se aproximam. Trata-se de uma bela lição sobre o modo como os cristãos devem enfrentar tamanha provação.
- Os cristãos não devem ficar surpreendidos com os tempos difíceis que são chamados a viver, como se isso fosse algo imprevisto… Jesus não enganou ninguém! Como se devem comportar com quem os persegue de forma violenta ou, simplesmente, ridiculariza a sua fé? Antes do mais, se tal acontece, é porque eles são sinais de uma presença… É Cristo, na pessoa dos discípulos, que os inimigos odeiam e querem destruir.
- Deste reconhecimento da presença e soberania de Cristo nos corações, brota a confiança e a esperança que os anima na perseguição. Devem estar sempre dispostos a apresentar as razões da sua fé e da sua esperança, sem agressividade, com delicadeza, com modéstia e com respeito pelos outros. Mesmo diante do ódio e da hostilidade dos perseguidores, os discípulos preferirem antes fazer o bem e rejeitar o mal.
EVANGELHO – João 14,15-21
[…] «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos.
E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco:
o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece,
mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós.
Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós.
Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver Me eis, porque Eu vivo e vós vivereis.
- Naquela noite de Quinta-Feira, na véspera da Sua morte, durante a “ceia”, Jesus despediu-Se dos discípulos. Fala-lhes do caminho que percorreu e continuará a percorrer até à Sua entrega; e convida-os a seguir o mesmo caminho de entrega a Deus e aos irmãos. Os discípulos estão inquietos… Como, se Jesus não caminhar a seu lado? Como poderão manter a comunhão com Jesus e a força para viver ao Seu “jeito”?
- Jesus vai para o Pai, mas garante aos discípulos que continuará, no mundo, a fazer caminho com eles. Como, de que forma? Fala no envio do “Paráclito”… A palavra grega “paráklêtos”, significa “advogado”, “consolador”, “defensor”. Mas a palavra aramaica “paráklita” significa “intérprete”: Aquele que aprimora para nós o conhecimento de, ou seja, faz a ponte entre nós, uns com os outros, e com Deus.
- O Pai «vos dará outro Defensor»… O primeiro enviado do Pai é Jesus; o “outro”, é o Espírito Santo. O Filho foi enviado pelo Pai, primeiro, sem intermediários… O envio do Paráclito é anunciado, mas ainda não aconteceu… acontecerá por intervenção do Filho. Para quando isso acontecer – e aconteceu no Pentecostes! – ensinar, recordar e… consolar!, infundindo em nós a Vida de Jesus Ressuscitado.
Rezar a Palavra
Pai, dou-Vos graças por Jesus! No-l’O enviastes: vive em mim e em todos os que n’Ele creem. Pai, bendigo-Vos pelo Espírito Santo, o Defensor e Consolador, fonte permanente de comunicação, compreensão e comunhão entre os que em Vós creem e creem em vosso Filho Jesus. Vem Espírito Santo, Luz que ilumina e não engana! Preciso da vossa Luz, para poder ver na escuridão deste mundo! Vem, Espírito Santo! Amem.
Cónego Armando Duarte
10 de Maio de 2026