13º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Ideia principal: Há já dois domingos que escutamos excertos do Discurso Missionário do Evangelho de São Mateus. Hoje, escutamos o final (Mt 10, 37-42) que tem uma “originalidade”… não se dirige aos missionários, mas aqueles que os acolhem. Os que acolhem um enviado de Jesus, acolhem-n’O a Ele próprio. Para que se dê a devida importância à hospitalidade, nos seis versículos que são proclamados, o verbo acolher aparece seis vezes. No discípulo é Jesus quem bate à nossa porta e pede hospitalidade!

LEITURA I – 2º Livro dos Reis 4,8-11.14-16a
Certo dia, o profeta Eliseu passou por Sunam. Vivia lá uma distinta senhora […] que disse
ao marido: […] Mandemos-lhe fazer no terraço um pequeno quarto. […]
Eliseu perguntou ao seu servo Giezi: “Que podemos fazer por esta senhora?”
Giezi respondeu: “Na verdade, ela não tem filhos e o seu marido é de idade avançada”. […]
Disse o profeta (à sunanita): “No próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços”.

  • Eliseu marcou a história de Israel na segunda metade do século IX a. C. Congregou à sua volta os “filhos de profeta”, que conservaram as profecias e os milagres por ele realizados (2 Re2,1-13,21). A leitura deste domingo relata o encontro de Eliseu com a Sunamita, uma grande senhora, acolhedora e generosa, que não vivia revoltada por não ter filhos; respeita a missão do profeta, não o importunando com os seus problemas.
  • A cidade Sunam, situada no sopé da colina Moré, já na planície de Esdrelon, favorecida pela abundância de boa água, era habitada por proprietários abastados, entre eles este casal de proveta idade e sem filhos. Aquela mulher podia ir dando umas esmolas a Eliseu… Mas não se ficou por aí… acolheu-o na sua casa, gesto que agradou Deus, que sempre recompensa os que colaboram com quem anuncia a Sua Palavra.
  • Na verdade, o gesto da Sunamita, que teve a concordância do marido, vai além do sagrado “sacramento da hospitalidade”, levado a sério pelos os povos do Médio Oriente… É o reconhecimento de que Eliseu é um “homem de Deus”, através do qual Deus age no mundo. Ajudando-o, a mulher mostra a sua adesão a Jahwéh e o seu desejo de colaborar no projeto de salvação que Deus tem para o mundo e para os homens.

LEITURA II – Carta de São Paulo aos Romanos 6, 3-4.8-11
Irmãos: Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte.
[…] Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida, é uma vida para Deus.
Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus

.

  • A salvação não se “conquista”, é dom de Deus que, apesar do pecado dos homens, através de Cristo, a todos justifica e salva gratuita e incondicionalmente. Cristo comunica-nos a vida de Deus, pois, ao contrário de Adão, foi obediente àquele que O enviou, e, pela Sua obediência, isto é, pelo cumprimento incondicional da vontade do Pai – alcançou para todos os homens a graça da salvação (cf. Rom 5,12-20).
  • As fontes batismais são como o ventre materno da Igreja, que sempre gera novos filhos. É desafiante para qualquer batizado o alcance da afirmação de Paulo sobre as consequências do batismo na vida do cristão: “fomos sepultados com Cristo na Sua morte, para que também nós vivamos uma vida nova”. Ou seja: pelo batismo deu-se uma união tão profunda com Cristo, que não faz mais sentido o pecado na vida do cristão.
  • Pelo batismo, enxertado em Cristo, o cristão deve viver à maneira de Cristo. Jesus, na Cruz, deu um “golpe mortal” no egoísmo e no pecado; a ressurreição é a manifestação da vida nova, feita de dom, amor, entrega, serviço… Ora o batismo, além de pôr ao nosso alcance a eficácia salvífica da morte de Cristo, torna-nos “vivos para Deus, em Cristo Jesus”, e, como tal, manifestação “da vida nova” do Ressuscitado.

EVANGELHO – São Mateus 10, 37-42
Disse Jesus aos seus apóstolos: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim.
[…] Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou.
Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta […].

  • Estamos na parte conclusiva do “discurso da missão”, o segundo dos cinco discursos que estruturam o Evangelho de Mateus. Na primeira parte (vv. 37-39) apresentam-se, de forma radical, as exigências para o seguimento de Jesus: a rutura com a família e a Cruz, ou seja, a doação de si próprio… Mesmo que não lhe seja tirada a vida com o Martírio, deverá doá-la numa permanente e generosa entrega de si mesmo.; na segunda parte (vv.40-42), Jesus fala da recompensa aos que acolhem o discípulo, por ele ser discípulo.
  • Quem são os discípulos-missionários? Mateus identifica quatro grupos de pessoas: os apóstolos, os profetas, os justos e os pequeninos. Membros da comunidade cristã, têm por missão anunciar a Boa Nova de Jesus; e porque se dão para o serviço do “Reino” devem ser acolhidos com generosidade e amor.
  • Percebe-se como é importante o acolhimento de quem anuncia o Evangelho: nas palavras do discípulo ressoa a voz do Mestre e, por Ele, a do Pai… “Acolher”, é a palavra-chave… aparece 6 vezes em 2 versículos (vv.41-42). Não se trata apenas de uma hospitalidade material, mas do acolhimento da mensagem. Quem acolhe o profeta, torna-se ele também profeta, pelo que merece recompensa de profeta!

Rezar a Palavra
Senhor Jesus, que nascestes e crescestes no seio de uma família – e que amor ela irradiava! – dou-Vos graças por esse amor desapegado… Aprenda eu convosco: não permitais que a família, ou outros afetos, impeçam uma resposta coerente ao desafio do “Reino”; ou me desviem da Cruz do discipulado. Que Vos reconheça sempre e acolha todos aqueles que me enviais como servos da Palavra. Amem.

Cónego Armando Duarte
28 de junho de 2026