Uma proposta para a Quaresma – Transformar notas … em música!

Podemos levar ajuda, com gestos de caridade – mesmo pequeno, mas concreto –, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe. […] Gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Deus Caritas Est, 31). […] Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma 2015

A Côngrua
A Côngrua (Subscrição Paroquial, é a sua actual designação) é a uma das receitas do Fundo Paroquial. Trata-se de um contributo voluntário, uma forma de os fiéis cumprirem o que determina o Catecismo da Igreja Católica: “prover às necessidades materiais da Igreja consoante as possibilidades de cada um” (CIC, 2043).

Fundo Paroquial
Para o Fundo Paroquial revertem todos os rendimentos da Paróquia, que de lá saem para o pagamento de todas as despesas, incluindo a sustentação do pároco, a remuneração dos colaboradores não voluntários, a manutenção e conservação do edifício, o contributo para a Diocesa e Igreja Universal e a assistência aos mais pobres.

A aritmética da Fé
Neste ambiente de “crise” económica, em que as pessoas se sentem sufocadas por tantos impostos, não falta quem se queixe e, infelizmente, quem tente mesmo fugir às suas obrigações fiscais. Qual a motivação para esta conribuição voluntária para a sustentação da Paróquia? Que pode levar a que alguns sacrifiquem o seu orçamento para entregar este “imposto” que só obriga em conciência? Dificilmente seria possível encontrar  explicações na lógica que move este mundo. Por um raciocínio meramente aritmético ou financeiro, dificilmente alguém estaria disposto a contribuir. Mas a fé é capaz de revolucionar as leis da aritmética… e quem o faz dá-se conta que esta aritmética da fé produz efeitos surpreendentes na sua vida. Deus não se deixa vencer em generosidade, permitindo que aqueles que dão com alegria e confiança, recuperem com vantagem o dia de salário do seu contributo.

O vosso dinheiro será bem empregue
Acontece assim em todo o lado… as pessoas mais facilmente protestam do que elogiam! Ainda assim muitos fiéis não se poupam nas manifestações de agrado pela reabilitação dos edifícios, a limpeza e o arranjo das igrejas dos Mártires e do Sacramento e a segurança que nelas experimentam. É verdade, e o que é feito com tão parcos recursos é uma prova de que seus donativos são bem geridos. É necessário que não esmoreçam, nem se deixem vencer pelo medo e pela insegurança dos tempos que correm, correspondendo como até aqui com fé, gratidão e confiança!

As obras não páram…
Em 2014, foi a vez da reabilitação da Residência Paroquial. Este ano, do Fundo Paroquial terá de sair também o dinheiro para pagar a reconstrução do órgão da Igreja do Santíssimo Sacramento. O nº 83 do grande organeiro português António Manuel Machado e Cerveira, que o construiu em 1817. A sua qualidade sonora ninguém pode testemunhar, já que, há mais de um século, o interior do órgão, nomeadamente a Casa dos Foles, com janela para a Calçada do Sacramento, se transformou em pombal.

Os nossos olhos já podem ver e os ouvidos, escutar
Esta geração já pôde admirar os tectos das igrejas dos Mártires e do Sacramento e os retábulos de Pedro Alexandrino de Carvalho, durante décadas tapados por fuligem e humidades. Será que vamos também poder ouvir os acordes do órgão do Sacramento? Depende da prioridade que estabelermos na partilha dos nossos bens!

Transforme notas em música
A título indicativo, costuma apontar-se como contributo anual para o Fundo Paroquial o correspondente a um dia de salário do agregado familiar. Bem, a medida certa desse contributo é a fé.

Este ano sugerimos-lhe outras contas. As notas com que pagar a sua côngrua, servirão, algumas delas, para o restauro do órgão, ou seja, transformar-se-ão… em música! Já viu? Poderá mesmo orientar-se por esta tabela:

No interior do órgão existem 932 tubos: cada um vale 35 €
– e ainda 25 tubos de madeira: cada um vale € 100
– e 28 tubos cónicos: cada um vale € 60

Na fachada do órgão existem 78 tubos:
– 53 tubos de palheta: cada um vale € 150;
– 25 tubos flautados: cada um vale € 175

Uma girândola de tubos (um de cada espécie) pode ser muito. Mas talvez um dos 932 do interior do órgão talvez seja acessível a quase todos.