XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano C

FESTA DE NOSSA SENHORA DOS MÁRTIRES  

Leitura do Segundo Livro dos Reis (2 Reis 5,14-17)

Ideia principal: Deus tem um projecto de salvação para oferecer a todos os homens: ao homem resta acolher o dom de Deus, reconhecê-l’O como o único Salvador e manifestar-Lhe gratidão.

– A primeira leitura situa-nos no reino do Norte (Israel), no reinado de Jorão (853-842 a.C.). É uma época em que os deuses cananeus assumem um grande protagonismo e Baal substitui Jahwéh no coração e na vida de muitos israelitas. O profeta Eliseu, continuando a obra de Elias, assume-se como o grande defensor da fé jahwista. Ilustra-o esta a história de Naamã, do designado Ciclo de Eliseu (2 Re 2,13-13,20).

– A primeira leitura apresenta-nos um leproso, o general sírio Naamã, a quem Jahwéh oferece a vida e a salvação; apesar de ser pagão, reconhece com gratidão o dom de Deus. No Evangelho (Lc 17,11-19), um grupo de leprosos encontram-se com Jesus e são curados. Representam toda a humanidade, envolvida pela miséria e pelo sofrimento, sobre quem Deus derrama a sua bondade, o seu amor, a sua salvação.

– O general sírio, para se ver livre da lepra, seguiu as instruções de Eliseu, que começou por rejeitar. Ou seja: primeiro teve de se desfazer dos preconceitos e daquilo que era politicamente correto… para renascer puro como uma criança, teve de aprender a colocar-se, por inteiro, nas mãos de Deus.

 Rezar a Palavra e contemplar o Mistério

Ó Deus de toda a generosidade! Já teria sido fantástico preocupares-te com a sorte de Naamã, um pagão… mas lhe enviaste e lhe falaste através do profeta, o curaste da lepra corporal e, como se tudo isso não bastasse, – e não bastava, de facto! – o curaste também da lepra espiritual. Ó Deus, sempre queres o melhor para nós, e o melhor bem é a salvação, a vida eterna. Concede-me, Senhor, a virtude da gratidão! Amem.

 LEITURA I – 2 Reis 5,14-17

Naqueles dias, o general sírio Naamã desceu ao Jordão
e aí mergulhou sete vezes,
como lhe mandara Eliseu, o homem de Deus.
A sua carne tornou-se tenra como a de uma criança
e ficou purificado da lepra.
Naamã foi ter novamente com o homem de Deus,
acompanhado de toda a sua comitiva.
Ao chegar diante dele, exclamou:
«Agora reconheço que em toda a terra
não há outro Deus senão o de Israel.
Peço-te que aceites um presente deste teu servo».
Eliseu respondeu-lhe:
«Pela vida do Senhor que eu sirvo, nada aceitarei».
E apesar das insistências, ele recusou.
Disse então Naamã:
«Se não aceitas, permite ao menos que se dê a este teu servo
uma porção de terra para um altar,
tanto quanto possa carregar uma parelha de mulas,
porque o teu servo nunca mais há-de oferecer
holocausto ou sacrifício a quaisquer outros deuses,
mas apenas ao Senhor, Deus de Israel».