Leitura do Livro de Isaías (Is 50, 4-7)

Ideia principal: o “servo de Jahwéh”, em quem os primeiros cristãos viram uma figura profética de Jesus, cumpriu, com teimosa fidelidade e muito sofrimento, a sua missão.

– O texto que nos é proposto é tirado do Deutero-Isaías, ou II Isaías, e corresponde aos 4 primeiros versículos do 3º poema do “Servo de Jahwéh”. Quem fala é o próprio Servo, um discípulo a quem Deus abre os ouvidos até ao coração, para que aí, no mais íntimo de si próprio, possa interiorizar a Palavra, a fim de a levar, como consolo, aos que dela precisam.

– Foi espancado, insultado, esbofeteado, cuspiram-lhe na cara, mas ele não reagiu, não por ser insensível, mas por confiar no Senhor. Não resisti nem recuei… Mesmo os maiores profetas, como Moisés e Jeremias, sempre opuseram, embora sem rebeldia, alguma resistência à vontade do Senhor. “Servo de Jahwéh”, tal como Jesus, identifica-se plenamente com a vontade do Pai.

– O “Servo de Jahwéh” não se intitula “profeta”… apresenta-se a falar como um discípulo, mas não um discípulo qualquer, pois é instruído pelo próprio Deus. Também Jesus dirá: a Minha doutrina não é minha , mas d’Aquele que Me enviou (Jo 7,16). Para o “Servo” – e para nós! – seria mais cómodo fazer de conta que não ouviu. Mas ele não volta atrás… anima-o a certeza de Deus não abandona aqueles que chama.

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério

Ó Deus, Pai Santo, que nos enviaste Jesus, o “Servo” que fez da Sua vida um dom por amor! Ajuda-me aprender com Ele o caminho: a vida entregue, posta ao serviço dos irmãos, não é perdida, mesmo que, numa lógica humana, pareça fracassada e sem sentido. Converte-me Senhor, para que eu seja, pelo que digo e pelo jeito de estar, Palavra viva, capaz de gerar vida nova para o mundo. Amem.

LEITURA I – Is 50, 4-7

O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo,
para que eu saiba dizer uma palavra de alento
aos que andam abatidos.
Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos,
para eu escutar, como escutam os discípulos.
O Senhor Deus abriu-me os ouvidos
e eu não resisti nem recuei um passo.
Apresentei as costas àqueles que me batiam
e a face aos que me arrancavam a barba;
não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam.
Mas o senhor Deus veio em meu auxílio,
e por isso não fiquei envergonhado;
tornei o meu rosto duro como pedra,
e sei que não ficarei desiludido.